Estudo aponta que redes sociais afetam mais a saúde mental de meninas do que meninos
Especialistas apontam que o algoritmo das redes sociais, que fornece conteúdos de moda e beleza, aumenta a pressão estética sobre as jovens

Especialistas apontam que o algoritmo das redes sociais, que fornece conteúdos de moda e beleza, aumenta a pressão estética sobre as jovens
Segundo o ‘Panorama da Saúde Mental 2024‘, 45% dos casos de ansiedade em jovens de 15 a 29 anos estão atrelados ao uso intensivo de redes sociais. Um levantamento da Universidade Pompeu Fabra e da Universitadade Oberta de Catalunya mostrou, no entanto, que as plataformas impactam mais a saúde mental das meninas do que dos meninos.
A fim de entender como o TikTok e o Instagram afetam o emocional, pesquisadores conversaram com 1.043 adolescentes espanhóis, de 12 a 18 anos, sendo 50,5% meninas e 49,5% meninos. Nas entrevistas, os jovens avaliaram os impactos causados pelas plataformas em nove aspectos da vida, como o bem-estar psicológico e o senso de pertencimento. Eles tinham que classificar os tópicos de zero (o mais negativo) a cinco (o mais positivo).
Desta forma, os estudiosos obtiveram que, no quesito saúde mental, as garotas pontuaram em 2,99; enquanto os garotos ficaram em 3,13. Este foi o único ponto em que houve diferenças significativas por gênero. Segundo a pesquisa, isso ocorre porque as adolescentes utilizam mais as redes sociais e se sentem observadas. Além disso, o tipo de conteúdo sugerido pelo algoritmo do TikTok , que envolve moda e beleza, idealiza a imagem corporal e aumenta a pressão estética.
“As adolescentes têm uma percepção mais crítica e, muitas vezes, mais negativa do impacto das mídias sociais em seu bem-estar, possivelmente, porque são expostas à elas com mais intensidade e se sentem mais pressionadas em relação à aparência e à aprovação externa. Isso aponta para uma necessidade urgente de fortalecer sua educação emocional e incentivá-las a olhar mais criticamente para as mídias sociais.”, diz a autora Mireia Montaña, em comunicado à imprensa.
Ademais, o algoritmo dos garotos também afeta a saúde mental e as convenções sociais. “No caso dos meninos, o fato de o conteúdo sugerido estar intimamente relacionado ao esporte e aos jogos competitivos, com comportamentos muitas vezes agressivos, reforça a ideia do macho dominante associado à masculinidade tóxica, com pouco espaço para mostrar suas emoções”, apontou.
Apesar do apontamentos da pesquisa, para os jovens, as mídias sociais são neutras. Eles entendem que os danos são compensados pelos benefícios. Por isso, todos os aspectos analisados pontuaram acima de acima de 2,5. Ademais, o estudo apontou que os adolescentes apreciam as plataformas por proporcionarem conexões e momentos de interação.