Estudo descobre que quase metade das calorias ingeridas por crianças vêm de ultraprocessados

De acordo com especialistas, o consumo excessivo desses alimentos pode afetar o colesterol, além de desencadear desnutrição e doenças, como a obesidade

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De acordo com especialistas, o consumo excessivo de ultraprocessados pode afetar o colesterol, além de desencadear doenças, como a obesidade – Ezrin MN/Ezrin Nazan

Em meio à correria do dia a dia, muitos pais recorrem a alimentos mais práticos para os lanches das crianças, como biscoitos, salgadinhos e refrigerantes. O aumento da prática, no entanto, tem preocupado os profissionais da saúde. Isso porque a ingestão em excesso pode afetar o colesterol, além de desencadear desnutrição e diferentes doenças, como a obesidade.

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Ultraprocessados dominam a dieta infantil

De acordo com uma pesquisa da Universidade de Toronto, 45% das calorias diárias ingeridas por canadenses de três a cinco anos, advêm de comidas ultraprocessadas. Para chegar à esta conclusão, os estudiosos analisaram a rotina alimentar de 2.217 crianças em idade pré-escolar. Com as informações do levantamento ‘CHILD Cohort Study’, eles avaliaram os danos que a comida consumida aos três anos de idade gerou aos cinco. Desta forma, os pesquisadores obtiveram que uma dieta balanceada, em sua maioria, nesse tipo de alimento resultou no aumento do Índice de Massa Corporal (IMC) e em uma maior probabilidade de viver com sobrepeso, especialmente os meninos.

Essas crianças, no entanto, não são as únicas afetadas. O ‘Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil‘ (Enani), mostrou que, em 2019, 30% das calorias diárias dos brasileiros da mesma faixa etária eram provenientes de ultraprocessados. Além disso, as pesquisas alertam sobre a possibilidade do consumo desses alimentos na infância levar à uma má alimentação na vida adulta.

“Crianças acostumadas a consumir ultraprocessados tendem a manter esse padrão alimentar ao longo da vida, aumentando o risco de doenças crônicas, como diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares. A introdução de hábitos saudáveis na infância é um fator de proteção essencial para a saúde.” explicou o pediatra Linus Pauling Fascina, à ‘Agência Einstein‘.

Em entrevista ao portal ‘Drauzio Varrella‘, o pediatra Paulo Telles, afirmou que o crescimento registrado pelos levantamentos pode estar atrelado à propaganda apelativa desses produtos. Além disso, especialistas ainda citam a alta demanda sobre as mães, que, pelo pouco tempo disponível, passam a buscar por alimentos que podem ser feitos rapidamente.

Como reduzir o consumo

De acordo com Fascina, para reduzir o consumo de ultraprocessados, são necessárias ações do governo, como a proibição da venda dessas comidas nas escolas. Ademais, segundo a profissional, as gestantes também devem evitar os alimentos. Como alternativa, para as crianças e mães, ela sugere apostar em refeições mais básicas.

“Usar ingredientes minimamente processados, por exemplo, é uma forma eficaz de reduzir o consumo de ultraprocessados. Receitas simples, como lanches naturais e frutas frescas, devem ser incentivadas e incluídas na rotina familiar sempre que possível”, disse.

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*Texto sob orientação de Helena Gomes