Quem foi Chico Xavier, médium que hoje completaria 115 anos?
Conheça a história do espírita que publicou mais de 450 livros e foi responsável por nacionalizar a doutrina kardecista

Conheça a história do espírita que publicou mais de 450 livros e foi responsável por nacionalizar a doutrina kardecista
Antes de se tornar a maior influência do kardecismo brasileiro, Francisco Cândido Xavier, conhecido como Chico Xavier, foi um jovem que cursou apenas os primeiros anos do ensino fundamental, além de ter sido vendedor e tecelão. No entanto, apesar da pouca educação, o espírita publicou mais de 450 livros e vendeu cerca de 50 milhões de exemplares. Além disso, o médium se consagrou como o responsável por espalhar o espiritismo em um país majoritariamente católico. Ele nos deixou aos 92 anos, em 2002, e hoje, completaria 115. Por isso, em comemoração à figura célebre, decidimos contar sua história!
Nascido em Pedro Leopoldo, na região metropolitana de Belo Horizonte, Xavier enfrentou dificuldade já no início da vida. Aos cinco anos de idade, perdeu sua mãe, Maria João de Deus e, por falta de condição do pai, João Cândido Xavier, passou a morar com a madrinha. A mulher, contudo, agredia o menino, que teve suas primeiras visões nesse período. Entretanto, foi também nessa época que a religião se mostrou um refúgio para ele. Isso porque Xavier contou com o auxílio de um padre, que o orientou a não contar o que ouvia, evitando que fosse internado.
Dois anos depois, a criança retornou aos cuidados do pai e de uma madrasta. Na adolescência, Francisco continuou tendo manifestações espirituais e, por isso, decidiu seguir à Doutrina Espírita-Cristã. Já adulto, em 1932, o médium utilizou seu dom para escrever poemas – atribuídos a autores mortos – para jornais. No entanto, ele somente ganhou notoriedade após publicar o livro ‘Parnaso de Além-Túmulo‘, que continha 60 textos, assinados por nove poetas brasileiros, quatro portugueses e um anônimo.
“Ele tinha pouco mais de 20 anos e era um matuto, um menino do interior de Minas Gerais, filho de pais analfabetos, que colocava, no papel, poemas assinados por nomes como Castro Alves e Augusto dos Anjos. E afirmava: ‘foram eles que escreveram, não fui eu'”, contou o jornalista e escritor Marcel Souto Maior, autor de ‘As Lições de Chico Xavier‘, à ‘BBC’.
De acordo com especialistas, o lançamento provocou desde interesse até suspeitas. As pessoas, admiradoras ou não, passaram a procurar pelo médium, que já estava na cidade de Uberaba, no Triângulo Mineiro. Na região, Chico Xavier mantinha um centro espírita.
Além dos livros, o que tornou Francisco a figura que conhecemos hoje foram as suas participações na televisão. Um exemplo é a aparição no programa ‘Pinga-Fogo‘, da TV Tupi, em julho de 1971. Foi assim que o espirita conseguiu, não somente nacionalizar a doutrina kardecista, – fundada na França, no século 19, por Allan Kardec – como aproximar a população mais carente do espiritismo – antes visto como elitista. Desta forma, Chico Xavier se tornou um nome conhecido mundialmente pela influência no kardecismo. Hoje, de acordo com o IBGE, o Brasil tem, aproximadamente, quatro milhões de pessoas que se declararam espíritas, além de 40 milhões de simpatizantes.
“Chico Xavier não foi só o grande médium, mas todo o espiritismo brasileiro ganhou uma feição diversa depois de sua aparição. Ele não é apenas um médium carismático, é, antes de tudo, um modelo de espírita e cristão exemplar, a ser seguido e imitado em sua caridade, humildade e renúncia, não por acaso, temas do catolicismo“, afirmou o filósofo Bernardo Lewgoy, em entrevista para a ‘BBC’.
*Texto sob orientação de Helena Gomes