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''Quem sofre também causa muito sofrimento'', analisa psicóloga sobre Borderline 

A psicóloga Maria Rafart explicou como é a personalidade Borderline e como é a relação com pessoas que sofrem deste transtorno

Bons Fluidos Publicado quinta 17 junho, 2021

A psicóloga Maria Rafart explicou como é a personalidade Borderline e como é a relação com pessoas que sofrem deste transtorno
Entenda como é conviver com uma pessoa que sofre com o transtorno Borderline  - Pexels

O Transtorno de Personalidade Borderline virou tema de novas discussões após a participação da modelo Raissa Barbosa no reality ‘A Fazenda’, da Record. Diagnosticada com o transtorno antes mesmo se se confinar na atração, Raissa acabou recebendo recentemente outro diagnóstico, o de depressão, que veio após ela sofrer com uma forte crise de ansiedade em casa sozinha. A modelo chegou a ser socorrida na emergência, após machucar a própria mão durante a crise que a acometeu. 

A psicóloga Maria Rafart fala sobre como é a personalidade Borderline. “No Transtorno de Personalidade Borderline, quem sofre também causa muito sofrimento. Todos nós temos nossa personalidade, e para a Psicologia, possuir uma personalidade íntegra quer dizer que interagimos de forma saudável com quem nós somos e com o mundo ao redor. É um misto de compreender a si mesmo como um ser único, com fronteiras claras entre si e o outro, saber o próprio valor, direcionar-se com seus objetivos de curto prazo com coerência, junto com a compreensão de quem é o outro, apreciar as experiências alheias e ter vínculos saudáveis com terceiros”

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“Basicamente, um ser mentalmente saudável sabe quem é, respeita, e também respeita quem os outros são. A personalidade de um indivíduo está na sua raiz, no seu íntimo, e mostra a forma como ele interage consigo mesmo (o ‘self’), e como interage com o mundo ao redor. Um transtorno de personalidade ocorre quando há prejuízos no funcionamento dessa personalidade, daí a palavra ‘transtorno’. Pode haver uma disfunção nessa interação consigo mesmo e com o mundo. Podem acontecer problemas com a própria identidade e com o direcionamento da própria vida. Podem acontecer interações pouco saudáveis com os outros, como excessiva dependência, rejeição ou pobreza de vínculos afetivos”.  

Como diagnosticar este tipo de transtorno?

 “Os critérios para este diagnóstico devem ser muito bem observados por profissionais da Psicologia e Psiquiatria, para que não haja confusão com os transtornos que o uso de substância causam, ou confusão com a fragilidade típica do período da adolescência, por exemplo. O Transtorno de Personalidade Borderline tem as seguintes características: você encontra uma pessoa que tem uma autoimagem muito instável (ou seja, ela oscila muito entre ‘se achar’ ou se sentir a pior das pessoas); pode ser instável também em seus objetivos, o que a transforma naquela pessoa ‘que não sabe o que quer’, ou ‘que muda de plano como quem muda de roupa’”.

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Como é conviver com uma pessoa com este transtorno?

Sobre relacionamentos de quem sofre com o transtorno, Maria Rafart explica. “O Borderline pode se relacionar também de forma instável, ora amando, ora odiando, ora sentindo-se desvalorizado, ora carente e implorando por atenção. A cereja do bolo do transtorno de personalidade borderline é a sua impulsividade: a pessoa pode se expor a riscos dos mais variados, ser hostil demais, e ser muito explosiva. É como se a pessoa não fosse muito ‘adaptada’ ao mundo. Daí o termo ‘border’, que quer dizer limite, fronteira. O borderline oscila entre o mundo real e um mundo imaginário muito persecutório. Pode sentir uma sensação de grande vazio interior. Pode ainda ter explosões de estresse, caso se sinta provocada ou injustiçada. Pode mudar de opinião e direcionamento profissional com muita frequência, o que causa mais frustração ainda, em fases cíclicas”

A carência costuma gerar muito estresse em pessoas com borderline. “O borderline não entende muito o outro, pois na maior parte das vezes está preocupado com as injustiças que ele acha que o outro comete. É uma pessoa que implora por carinho, às vezes de um jeito brusco. Quando não consegue o que quer, entra em grande conflito. A carência do borderline faz com que ele tenha medo de ser abandonado, e esteja sempre prevendo o pior nos seus relacionamentos. Causa tanto estresse com isso, que os relacionamentos realmente acabam, pela sua própria insegurança de separação”.

“Os sentimentos de raiva são mal processados pelo borderline, e ele pode ser muito hostil e facilmente irritável. Há prováveis causas genéticas que podem ser acentuadas pelo comportamento, e por isso, a indicação e de acompanhamento psiquiátrico para medicação adequada a alguns sintomas, como ansiedade, e terapia, onde o paciente pode trabalhar melhor a sua tolerância à frustração e a sua noção de realidade”, finaliza a psicóloga.

Último acesso: 25 Sep 2021 - 12:31:30 (1045174).