É possível reconhecer sinais de autismo em bebês? Entenda
Após a identificação dos sintomas, como falta de interação e atraso no desenvolvimento motor, é necessário que a criança seja avaliada por especialistas

Após a identificação dos sintomas, como falta de interação e atraso no desenvolvimento motor, é necessário que a criança seja avaliada por especialistas
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, se estima que existam 70 milhões de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no mundo, sendo, aproximadamente, dois milhões apenas no Brasil. Além disso, levantamentos indicam que cerca de 90% dos autistas brasileiros tiveram um diagnóstico tardio. Como consequência, a vida emocional, social e profissional é impactada. Por isso, em prol da saúde, especialistas apontam quais são as maneiras de identificar o autismo ainda na primeira infância.
De acordo com profissionais, é possível reconhecer os primeiros sintomas do espectro a partir do segundo ano de vida (12 a 24 meses). Em entrevista ao’Catraca Livre‘, o psicólogo e especialista em TEA, Fábio Coelho, citou a dificuldade de manter contato visual como um dos sinais. “Tipicamente, os bebês desenvolvem o contato visual como uma forma de interação social primária. Além disso, eles começam a reconhecer e responder a sons familiares, seja virando a cabeça, demonstrando curiosidade, ou se assustando. A ausência ou a raridade disso pode indicar dificuldades em estabelecer laços, demonstrando que ele não está engajando da maneira esperada”, explicou.
Além disso, um traço relacionado é a falta de interação. Especialistas indicam que os pais observem se o bebê não dá risada quando adultos tentam brincar com ele ou se há déficit em comunicação não verbal. Outro indício envolve a ausência de reação ao ser chamado pelo nome. Ademais, o TEA também se manifesta através do atraso no desenvolvimento motor (engatinhar, rolar ou segurar brinquedos) e na linguagem verbal.
Ainda para o portal, a psicóloga Daniela Landim recomendou atenção à alimentação da criança. “É normal a criança rejeitar certos alimentos, mas se ela apresentar alta seletividade e aceitar somente comidas específicas, pode ser um traço de autismo”, detalhou.
Entretanto, somente a identificação desses sinais não enquadra o bebê no espectro. Isso porque é necessário passar por avaliação médica. “Neuropediatras, psiquiatras infantiis e pediatras, geralmente, são capazes de identificar o transtorno e dar um diagnóstico certeiro. Se feito precocecemente, pode ser um diferencial na vida de uma pessoa atípica”, apontou Colho.
Além disso, é importante que os familiares também trabalhem o psicológico para entender como lidar com a situação da melhor maneira. “Todo diagnóstico na infância é muito difícil, envolve grande carga emocional e sofrimento para toda a família, mas é preciso lembrar que não precisa ser uma sentença. Devem ser rotas, um caminho para guiar a família e os profissionais que acompanham a criança para se chegar a uma melhor qualidade de vida”, aconselhou a médica psiquiatra, Denise Evangelista, à ‘Secretaria de Saúde do Ceará’.
*Texto sob orientação de Helena Gomes