Se tem uma coisa que eu tenho medo é da famosa pedra nos rins. Aliás, eu tenho uma, que é um grãozinho ainda, e está em um dos rins quietinha há anos. Mas fico em uma grande ansiedade quando faço ultrassom para saber se a pequena cresceu – e sempre espero que não. O meu medo nem é pela cirurgia, mas que o pequeno grão invente de engatinhar pelo meu ureter – o canal que leva a urina do rim para a bexiga. E não é em vão, porque as coisas que já escutei sobre esse episódio parecem filme de terror, conheço três pessoas que já desmaiaram de dor!

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O papel dos rins

Todo mundo sabe que os rins são órgãos vitais para nosso organismo. Eles são responsáveis pela filtragem de substâncias tóxicas e de líquidos em excesso que precisam ser sair do sangue. A eliminação dessas substâncias e líquidos acontece pela urina. Eles também têm o papel de manter o equilíbrio entre os minerais, como sódio e potássio, controlar a pressão arterial sanguínea e estão relacionados com alguns hormônios — calcitriol, eritropoietina e renina, mas pode ocorrer o acúmulo de sais e minerais dentro dos rins, que pode levar ao surgimento das tais pedras ou cálculos renais.

Simplificando, esses grãozinhos se juntam e formam uma ou mais pedras dentro do rim, mas também podem aparecer dentro do ureter ou na bexiga.  Essas pedras podem variar de tamanho e causar dor intensa, além de outras complicações no sistema urinário, e por isso é preciso tratá-las, já que trazem riscos e complicações, como a perda da função renal.

Como a pedra nos rins é formada?

Primeiramente, como dito acima, os cálculos renais se formam devido ao acúmulo de sais minerais e outras substâncias na urina, mas como isso acontece? Entre esses fatores estão beber pouco líquido, o que torna a urina mais concentrada, o excesso de cálcio, oxalato ou ácido úrico na urina, a alteração no pH urinário, favorecendo a cristalização e fatores genéticos, obesidade, sedentarismo, obstrução das vias urinárias, hiperparatireoidismo (transtorno hormonal relacionado ao metabolismo do cálcio); doenças inflamatórias intestinais, como a Doença de Crohn e o uso prolongado de certos tipos de medicamentos, como analgésicos.

Aí você deve estar se perguntando: Quais são os alimentos preocupantes? Não é que eles devem ser evitados, mas o excesso de certos alimentos pode levar, assim, ao maior risco.

Veja alguns exemplos:

  • Ricos em oxalato: espinafre, beterraba, chocolate, nozes, chá preto e café;
  • Alimentos ricos em sódio: embutidos, salgadinhos, alimentos processados;
  • Proteína animal em excesso: carne vermelha, frutos do mar;
  • Bebidas adoçadas artificialmente: como refrigerantes e sucos industrializados.

Entre os medicamentos de uso prolongado que podem resultar em cálculo renal e devem ter mais cautela, além dos analgésicos estão:

  • Diuréticos tiazídicos podem aumentar a concentração de cálcio na urina;
  • Antiácidos à base de cálcio;
  • Suplementos de vitamina C em excesso;
  • Medicamentos para HIV (exemplo: indinavir);
  • Alguns antibóticos que alteram o metabolismo renal.

E quais os sintomas do cálculo renal?

A presença de cálculo renal pode ser muito dolorida, principalmente durante a passagem do cálculo pelo canal que leva a urina do rim para a bexiga (ureter), mas as pedras não causam problemas permanentes se forem identificadas e tratadas. Os sintomas mais comuns são:

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  • dor forte, que se inicia nas costas, na região lombar, e se irradia para o abdome em direção à virilha. A dor se manifesta em cólicas;
  • náuseas e vômitos;
  • sangue na urina;
  • redução da urina;
  • urina turva;
  • necessidade de urinar com mais frequência;
  • infecções urinárias.

Quanto ao tratamento à pedra nos rins

O tratamento do cálculo renal depende do seu tipo e tamanho e só deve ser indicado pelo seu médico. Pequenos cálculos podem ser eliminados espontaneamente com muita hidratação e medicamentos para dor, já os cálculos maiores podem necessitar de intervenção médica.

Entre os medicamentos alopáticos mais utilizados estão as cápsulas de citrato de potássio que auxiliam na dissolução dos cálculos e evita sua formação e o Alopurinol: usado para reduzir a produção de ácido úrico.

Tratamentos naturais

Já entre os tratamentos naturais estão os chás de cavalinha e dente-de-leão que tem potentes propriedades diuréticas e o famoso chá de quebra-pedra (Phyllanthus niruri), que não precisa ser necessariamente chá, você pode fazer uso das cápsulas ou mesmo da tintura ou extrato fluido.

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O chá de quebra-pedra (Phyllanthus niruri) é conhecido por suas propriedades nefroprotetoras e antiurolitíacas (anti- pedras nos rins), sendo utilizado para prevenir e tratar cálculos renais. Sua eficácia está relacionada a vários mecanismos bioquímicos que afetam a formação, crescimento e eliminação dos cálculos pois o chá de quebra-pedra age como um inibidor natural da cristalização, reduzindo a sobressaturação urinária de minerais, diminuindo a tendência de precipitação do oxalato de cálcio. Além disso o chá de quebra pedra interfere na adesão dos cristais ao epitélio renal, evitando que pequenos cristais cresçam e formem pedras maiores e modificando a carga elétrica das partículas cristalinas, tornando mais difícil sua agregação.   Essa ação se dá através dos compostos bioativos da planta, como os flavonoides (quercetina, rutina), taninos, lignanas e alcaloides

Através dos flavonoides e dos triterpenos da sua composição, o chá de quebra-pedra também aumenta o fluxo urinário, favorecendo a eliminação de pequenos cristais antes que possam se transformar em cálculos maiores. Esse efeito ocorre porque ele estimula à excreção renal de sódio e potássio, elevando o volume de urina, reduzindo a concentração de substâncias formadoras de cálculos, como          cálcio e oxalato e estimulando a eliminação de ácido úrico, prevenindo cálculos de urato.

O chá ainda aumenta ligeiramente o pH urinário, tornando a urina menos ácida e reduzindo a formação de cálculos de ácido úrico. O pH equilibrado, por exemplo, evita a formação de cálculos de fosfato de cálcio, que ocorrem em urina muito alcalina.

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Phyllanthus niruri

Estudos ainda demonstram que Phyllanthus niruri atua como um relaxante da musculatura lisa do trato urinário, facilitando a eliminação espontânea de cálculos pequenos e reduzindo a dor causada pela cólica renal.

Os taninos, lignanas, flavonoides e polifenóis da planta ainda têm ação anti-inflamatória e antioxidante inibindo a peroxidação lipídica, protegendo as células renais contra o estresse oxidativo e reduzindo a produção de citocinas inflamatórias como IL-6 e TNF-α, que estão envolvidas na resposta inflamatória renal.

Por fim, a prevenção do cálculo renal envolve uma hidratação adequada, uma dieta equilibrada e, em alguns casos, o uso de medicamentos para reduzir os fatores de risco. Em caso de sintomas como dor intensa, sangramento na urina ou dificuldade para urinar, é fundamental procurar atendimento médico para um diagnóstico preciso e tratamento adequado, portanto não faça automedicação!