Bebidas e medicamentos: O que você precisa saber
Engana-se quem acha que o problema só pode ocorrer com bebida alcoólica

Engana-se quem acha que o problema só pode ocorrer com bebida alcoólica
Você é daqueles que inicia seu dia preparando um super suco de laranja, pois se acha o ser mais natureba do mundo? Então nem imagina que ele pode ser o vilão do seu tratamento médico, né? Ou que o café, seu fiel parceiro de todos os dias, pode estar tramando uma conspiração silenciosa contra aquele medicamento para pressão alta? Se as interações entre bebidas e medicamentos fossem um episódio de uma série de TV, elas certamente teriam reviravoltas e plot twists de dar inveja a qualquer roteirista!
Engana-se quem acha que o problema só pode ocorrer com bebida alcoólica. No último artigo da coluna, eu escrevi sobre a interação entre alimentos e medicamentos. Agora, vamos saber mais sobre as perigosas combinações de bebidas e medicamentos. Esta é uma questão de saúde que merece atenção. A forma como as bebidas alcoólicas e não-alcoólicas podem interferir nos efeitos é complexa. E tende a ter consequências significativas para a eficácia do tratamento e a saúde.
É sabido, ou pelo menos deveria ser, que as bebidas alcoólicas, como cerveja, vinho e destilados, são as mais conhecidas por causar interações com medicamentos. O álcool pode alterar a forma como o corpo metaboliza-os, resultando em efeitos adversos. Por exemplo:
Embora menos discutidas, as bebidas não-alcoólicas também podem interferir nas medicações, então atente-se!
O café e o chá contêm cafeína que, por sua vez, pode influenciar os efeitos de antidepressivos e remédios de pressão alta. O componente ainda pode aumentar a frequência cardíaca e a pressão arterial, interferindo no controle de condições que requerem monitoramento rigoroso.
As bebidas energéticas, populares entre jovens, também possuem cafeína, e isso acarreta em efeitos adversos. Essa mesma substância ainda pode agravar a ansiedade e dificultar o controle de sintomas em indivíduos que usam antidepressivos, além de reduzir os efeitos sedativos de antipsicóticos, aumentando a agitação. Em relação aos medicamentos cardiovasculares, as bebidas energéticas são capazes de diminuir a eficácia dos betabloqueadores, resultando em controle inadequado da pressão arterial, e interferir em anticoagulantes, elevando o risco de hemorragias devido ao aumento da frequência cardíaca.
Para pacientes diabéticos, a cafeína pode prejudicar o controle glicêmico, ocasionando picos de glicose, e em analgésicos à base de aspirina, a combinação com altas doses de cafeína pode aumentar o risco de irritação gástrica. Além disso, a cafeína ainda pode comprometer a absorção de hormônios tireoidianos, como a levotiroxina, dificultando o controle da função tireoidiana. Portanto, é fundamental que as bebidas energéticas sejam consumidas com cautela por aqueles em tratamento médico, e que consultas a profissionais de saúde sejam feitas para esclarecer quaisquer dúvidas sobre interações medicamentosas.
Os refrigerantes e algumas bebidas gaseificadas, especialmente as que contêm ácido fosfórico, podem interferir na absorção de certos medicamentos, como os bisfosfonatos, usados no tratamento da osteoporose. O consumo de refrigerantes ainda pode aumentar a acidez estomacal, o que pode afetar a absorção de diversas drogas.
O inofensivo leite, rico em cálcio se liga a algumas substâncias dos medicamentos, formando um complexo que não é absorvido pelo organismo. Antibióticos da classe das tetraciclinas e fluoroquinolonas são alguns exemplos reduzindo sua eficácia. Essa interação se dá já que o cálcio forma complexos insolúveis com esses fármacos no trato gastrointestinal.
Os sucos de frutas são frequentemente consumidos como parte de uma dieta saudável, mas é importante saber que alguns deles podem interferir na eficácia de determinados medicamentos. O suco de laranja, bebida tão popular, rica em vitamina C e outros nutrientes, por exemplo. pode prejudicar o efeito de alguns medicamentos. Especialmente aquele feito a partir da variedade de laranja de Navel, podendo inibir a ação da enzima CYP3A4, uma enzima do fígado que é responsável pela metabolização de muitos medicamentos, particularmente as estatinas (usadas para controlar o colesterol). Quando o suco de laranja é consumido junto com estatinas, os níveis do medicamento no sangue podem aumentar, aumentando o risco de efeitos colaterais, como problemas musculares e hepatotoxicidade.
Ele também pode afetar a absorção de alguns medicamentos utilizados para tratar pressão alta, embora o impacto seja mais sutil. A inibição do CYP3A4 pode resultar em efeitos mais intensos e prolongados dos medicamentos, levando à possibilidade de hipotensão.
O suco de limão, que está na moda com seus shots matinais ou então na famosa água com limão em jejum pela manhã é outro componente da dieta que pode interferir com a medicação, pois contém ácido cítrico e pode alterar o pH do estômago. Em alguns casos, isso pode afetar a absorção de medicamentos que necessitam de um ambiente ácido ou básico para serem efetivamente absorvidos. Por exemplo, certos antifúngicos e medicamentos para gastrite podem ter sua eficácia reduzida quando ingeridos com suco de limão. Embora a pesquisa sobre a interação do suco de limão com antibióticos seja limitada, sabe-se que mudanças no pH do estômago podem afetar a solubilidade e a absorção de algumas partículas medicinais.
Outo suco bem popular é o de abacaxi, rico em bromelina, uma enzima proteolítica que pode ter algumas interações significativas: A bromelina pode ter efeitos anticoagulantes e, portanto, pode aumentar o risco de sangramentos quando consumido com medicamentos anticoagulantes, como a varfarina. O suco de abacaxi pode potencializar esses efeitos, levando a um aumento no risco de hemorragias.
E ao contrário do que ocorre com o suco de laranja, algumas pesquisas sugerem que a bromelina pode aumentar a absorção de certos medicamentos, como antibióticos e anti-inflamatórios, tornando-os mais efetivos. Contudo, isso também pode elevar a probabilidade de efeitos colaterais, particularmente se as doses não forem ajustadas.
É crucial que pacientes em tratamento médico consultem seus profissionais de saúde sobre o consumo de sucos de frutas, especialmente se utilizarem medicamentos que podem interagir. Estude e converse com seu médico para garantir que você esteja cuidando da sua saúde da melhor maneira possível!
Lembre-se sempre: informação é poder e nesse caso, é saúde!