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Sagrado feminino: a importância da espiritualidade na mulher

A energia feminina não é tosada apenas na sociedade do espaço físico, ela também é tosada, cortada, deturpada e distorcida na espiritualidade; Conheça a história de Dona Maria de Padilha, que vivenciou tudo isso na pele

CIGANA KELIDA Publicado terça 20 abril, 2021

A energia feminina não é tosada apenas na sociedade do espaço físico, ela também é tosada, cortada, deturpada e distorcida na espiritualidade; Conheça a história de Dona Maria de Padilha, que vivenciou tudo isso na pele
Importância da espiritualidade na mulher | Por Cigana Kelida - Freepik

Hoje, a mulher não possui uma batalha apenas no meio social em que vive, ela possui uma grande luta a ser vencida para ter seu direito de ser espiritualmente livre.

As grandes religiões deturparam as histórias de centenas de mulheres, separou as “Santas das Profanas” de acordo com seus pensamentos quando estavam em vida. Se essas mulheres fossem inteligentes, curandeiras de si e de outros, guerreiras, espírito livre, se tivessem o desejo de amar e serem amadas seriam sempre vistas como prostitutas, loucas, profanas... Seus predicados seriam sempre negativos.

Hoje, ainda percebemos que na espiritualidade as religiões dão espaço às entidades femininas que eram castas, freiras, puras, maternais, conselheiras, santas, mães, exemplos de abnegação e fé. Eu te pergunto, o que esse estereótipo tem a ver com as mulheres do século XX e XXI? Quase nada! E o que esses estereótipos podem provocar na mulher atual? Um total sentimento de culpa, medo e pecado.

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Existem algumas religiões que apenas as figuras masculinas possuem poderes e até a mãe de Cristo, Maria, é vista como um nada... Levando em consideração as religiões que nem chegam a permitir ou considerar a importância da mulher na construção da identidade das crenças e espiritualidade te pergunto: Independentemente de como foi a real história da gestação de Jesus, como o grande mestre viria à Terra, sem o ventre de Maria? As chances eram praticamente nulas.

Exceto se ela fosse de barro, mas Deus, o nosso criador, o fez humano, ele precisou de um ventre, de uma educação, uma filosofia. E vale ressaltar que Cristo não era cristão, existem documentos em Israel que comprovam com quase 100% de certeza que cristo era helenizado assim como Madalena, você sabia? E por falar em Madalena...

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Maria Madalena, teve sua história distorcida quando foi citada na bíblia: Em Lucas 8:2, faz-se menção, pela primeira vez, de "Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios". 

Segundo o livro Maria Madalena escrito por R.L BRUCKBERGER – Maria Madalena era Helenizada e pertencia a uma família saduceia, foi educada segundo os costumes gregos e vivia entre pessoas do mesmo nível em sua maioria que fazia uso de perfumes em óleos puros, tinha grande gosto pela música, falava Aramaico, Grego e Italiano. Maria Madalena e suas amigas na época eram mulheres livres que não se deixavam prender pelas correntes do casamento.

Esse comportamento ameaçava a sociedade da época em que as mulheres eram vistas apenas como geradoras de vidas e eram formadas sem leitura, apenas para o casamento.

Com todo esse ar de liberdade repudiado na época, Maria Madalena quando começou a seguir Jesus, foi retratada como a Mulher de 7 demônios, a prostituta. Era como uma mensagem velada que a sociedade antiga dizia: “Vocês querem ser como Madalena? Livre, Sensuais, Inteligentes, Donas de seus destinos? Então saibam que vocês possuem 7 Demônios assim como Madalena.”

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DONA MARIA DE PADILHA

Assim como Maria Madalena, outras mulheres importantes e que não seguiam os desejos das figuras masculinas que defendiam sua hegemonia também tiveram suas vidas e índoles ceifadas.

Dentro do panteão espiritual brasileiro, citamos a mulher que fundou e organizou a estrutura organizacional feminina das Pombas Giras no astral Dona Maria de Padilha. Ela nasceu em Valência, na Espanha, em 1334.

Nascera em uma família de camponeses fartos para a época, apaixonou-se e casou-se secretamente, com herdeiro do trono de Castilla y Leon Dom Pedro I – Inteligente, serena e tida como Anjo bom de Pedro o Cruel, anulou o direito de seu cargo como rainha, para que o reino ganhasse terras para seu marido. Sua inteligência, capacidade de raciocínio, Mentalismo, telepatia, fé, aliados a uma grande doçura na alma faziam com que Pedro – O cruel, tomassem as melhores decisões para seu reino.

Sua capacidade de gerir, reinar eram tão grandes que Doña Maria de Padilha, após o segundo casamento, por interesse de Dom Pedro, pediu autorização ao Papa Clemente para fundar um convento em suas terras em Astudillo, Espanha. Tendo a licença e a permissão do Papa para realizar tal feito, Doña Maria fundou a Ordem das Clarissas de Santa Clara de Assis, para acolher mulheres que, mesmo casadas, poderiam se refugiar de seus maridos, pais e irmãos que as acusavam de bruxaria.

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Seu trabalho e sua fé foram dignos de grandes feitos e ela era tida como peça principal do crescimento do reino. Doña Maria de Padilha veio a falecer em 1361, vítima da Peste Bubônica.

Ela é conhecida como Doña Maria de Padilha, a rainha depois de morta.

Pois foi após seu desencarne que o então Rei Dom Pedro conseguiu provar que ela foi sua única e legitima esposa.

Após o falecimento de Maria, Dom Pedro perdeu todas as guerras para o então irmã bastardo Henrique, que por grande ódio em seu coração dirigido a Doña Maria, cuidou pessoalmente de desvirtuar toda a história legitima, acusando então Maria de assassinato de Branca de Bourbon e Prostituição. Ele seguiu os mesmos passos daqueles que condenaram Maria Madalena, a mulher de 7 Demônios.

Toda história está documentada nas bibliotecas públicas de Valladolid e Valência – Espanha.

DONA MARIA PADILHA NO BRASIL

O trabalho espiritual no Brasil de Doña Maria Padilha começou a partir de 1534 chegando junto aos primeiros europeus que já tinham presenciado manifestações em Espanha e Portugal de seu espírito, sendo que sua primeira manifestação aconteceu em Sevilha, Espanha, em uma Freira chamada Carmen, que a invocava por questões do coração (amorosas).

Com toda essa bagagem, Doña Maria, em espírito, se familiarizou com o culto dos escravos, principalmente em seus cultos de possessão, e decidiu começar suas manifestações nas terras de Dom Pedro I do Brasil. Suas primeiras incorporações foram através de uma linda escrava... Foi nessa oportunidade que ela desceu e contou sua história quando esteve em terra.

Essa manifestação mediúnica baseia-se e tem sua fundamentação no livro dos médiuns escrito por Allan Kardec. “A Incorporação ou psicofonia é o fenômeno mediúnico pelo qual o médium empresta seu aparelho fonador (cordas vocais, boca e corpo) para emitir as frases que o espírito deseja. O contato é telepático, entre a mente do espírito e a mente do médium, através dos perispíritos de ambos.”

Sua fama chegou em terra logo após a fundação da então religião de umbanda. Suas manifestações de espírito livre feminino, a priori, gerou uma onda de sentimentos controversos que até os dias de hoje podem ser vistas em sociedade. Hoje, a organização fundada por Dona Maria inclui milhares de espíritos femininos que se juntam a organização afim de ajudarem o ser humano em sua evolução.

Esses espíritos femininos em sua maioria são formados por mães, avós, tias, primas, bisavós de seus protegidos ou médiuns, formando assim uma grande ligação a ancestralidade.

Quando se deturpa o trabalho espiritual da Organização das Pombas Giras, deturpa nossas ancestrais e suas lutas enquanto estiveram em terra, castra a o lado feminino das religiões onde as mulheres sempre são submissas em suas funções.

Pomba Gira é uma grande organização feminina, que atua principalmente em terra contra os ataques a outras mulheres em diversas formas e desejam fortemente que essas mulheres sejam principalmente autossuficientes. 

Não é trabalho ou função de um espírito feminino da organização de Pomba Gira, desviar, desagregar ou induzir qualquer ser humano ao erro, muito pelo contrário, são leais ao processo de aprendizado e evolução da humanidade em todos os sentidos.

A espiritualidade, a liberdade e a individualidade do ser mulher precisa ser respeitada e trabalhada para levar sua magnitude e sua essência à mulher do século XXI e oferecer a liberdade de ser quem somos dentro de nosso ambiente físico, espiritual e mental.

Paz e luz, 
KELIDA.


Espiritualista e psicanalista, Cigana Kelida, a colunista da Bons Fluidos trabalha ajudando milhares de pessoas ao redor do mundo a resgatarem seu poder ancestral com um pouco de magia.

Detentora de um dos principais canais do YouTube sobre Espiritualidade, com mais de 800 mil inscritos e mais de 60 milhões de views em seus vídeos, Kelida que também é psicanalista, hipnóloga e terapeuta holística, reikiana, realiza atendimentos online, promove rituais de cura, benzimentos e vigília, de maneira constante e gratuita.

Faz previsões, rituais, responde perguntas através do baralho cigano e fala com propriedade sobre conexões entre almas, cartas psicografadas, numerologia e terapias alternativas. Com toda essa bagagem espiritual (bruxa naturalista na linhagem de São Cipriano por tradição familiar) e profissional (formada em psicologia), a mística espiritualista atua unindo corpo, mente e espírito.

Por aqui, teremos conteúdos sobre esses temas incríveis todas as terças-feiras, às 12h.

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Último acesso: 24 Jul 2021 - 04:29:23 (1044793).