Como a aposentadoria afeta o cérebro dos idosos?

Especialistas são unânimes em afirmar que é preciso que haja um planejamento para que a mudança abrupta na rotina não seja sentida de forma tão agressiva

aposentadoria
Dicas de aposentadoria saudável para o corpo e a mente – depositphotos.com / HayDmitriy

A aposentadoria, para muitos, é um destino. Significa descansar e aproveitar a vida após anos dedicados ao ofício. Um merecimento. No entanto, é uma mudança de vida que deve ser feita de forma gradual para evitar perdas cognitivas e isolamento social. Mudar a rotina e o estilo de vida deve ser feito com a calma que uma vida inteira de trabalho merece.

Publicidade

Aposentadoria e perda cognitiva

José Inácio, de 85 anos, lembra que após a aposentadoria, quando completou 62 anos,  veio uma sensação de vazio. “Eu era um auditor fiscal, tinha uma rotina cansativa. De repente, fiquei sem saber o que fazer com os meus dias. Só saía para jogar dominó e beber cerveja… Comecei a me preocupar”, afirma. Depois, começou a usar sua experiência para prestar consultoria em contabilidade. “Uma vez por semana eu volto a utilizar parte do que desenvolvi por toda a minha vida e está sendo ótimo, consigo organizar meus dias e ainda mantenho meu cérebro ativo”. 

Um estudo feito com 8 mil aposentados na Europa mostrou que a capacidade de lembrar de algumas palavras após um certo período de tempo se deteriorava mais rapidamente após a aposentadoria do que quando estavam trabalhando.

“Há alguns indícios de que a aposentadoria pode ser ruim para a cognição, porque quando você se aposenta, seu cérebro não é mais tão desafiado”, disse Guglielmo Weber, professor de econometria na Universidade de Pádua, na Itália, que trabalhou no estudo europeu, ao The New York Times. Estas investigações também descobriram uma relação entre a aposentadoria e o início da depressão.

“Passar repentinamente de uma vida profissional agitada para nada pode exacerbar sentimentos de inutilidade, mau humor, tristeza, bem como sintomas depressivos graves e perda de memória”, explicou Xi Chen, professor associado de saúde pública na Universidade de Yale que estuda o envelhecimento.

Emily Fessler, professora assistente da Weill Cornell Medicine especializada em cuidados geriátricos, afirma que pessoas que se aposentam  “por causa de problemas de saúde ou preconceito de idade”, ou que enfrentam dificuldades financeiras na aposentadoria, podem sofrer efeitos mais severos. Além disso, afirma que os homens são os mais afetados: “As mulheres podem ter menos probabilidade de sofrer grande declínio mental ou cognitivo pronunciado, talvez porque sejam mais propensas do que os homens a continuar se socializando e passando tempo com a família após a aposentadoria”.

Como se adaptar à nova realidade?

Especialistas são unânimes em reafirmar os efeitos benéficos dos exercícios físicos para o corpo e a mente. Por isso, a ordem é dedicar uns minutinhos do dia para atividades físicas. Uma caminhada, dança somadas à musculação vão ajudar a manter o cérebro renovado. Além disso, que tal dedicar parte deste tempo livre para ajudar quem precisa? Um trabalho voluntário pode ser um caminho para evitar a depressão e o declínio cognitivo devido ao possível isolamento social na terceira idade.

Por fim, especialistas concordam que seria ideal incorporar novas rotinas que sejam mental e fisicamente atraentes alguns anos antes de deixar o trabalho. Alison Moore, chefe da divisão de geriatria, gerontologia e cuidados paliativos da Universidade da Califórnia, dá a dica: “O ideal é planejar a aposentadoria com antecedência, mesmo que você não implemente as mudanças na rotina  imediatamente. Adiar essas decisões para depois de se aposentar torna mais difícil lidar com uma mudança de forma tão abrupta”. 

Publicidade

Editora-chefe das marcas Bons Fluidos, SportBuzz e Perfil Brasil. Acredita na Lei do Retorno e na (lenta) evolução do ser humano para um mundo melhor.