Cientistas estudam como capturar neblina para fornecer água a cidades secas
De acordo com um levantamento, até 2050, cerca de seis milhões de pessoas irão enfrentar escassez de água devido ao aumento da procura

De acordo com um levantamento, até 2050, cerca de seis milhões de pessoas irão enfrentar escassez de água devido ao aumento da procura
O relatório ‘Combinando Abordagens para Gestão da Água e Adaptação às Mudanças Climáticas‘, publicado pelo Pnuma, apontou que, até 2050, cerca de seis milhões de pessoas irão enfrentar escassez de água devido ao aumento da procura. Além disso, estudos mostram que a maior demanda ocorre na América Latina. Por isso, pesquisadores chilenos analisaram formas alternativas de obter o líquido e descobriram que a resposta pode estar na neblina.
Para chegar à conclusão, os cientistas da Universidade Mayor analisaram a neblina da cidade de Alto Hospicio, uma região próxima do Deserto do Atacama, que é um dos lugares mais secos do planeta. Por isso, a precipitação média da área é inferior a 5 mm por ano. Como consequência, os moradores – principalmente os que vivem em periferias – somente têm acesso à água potável entregue por caminhões.
Em contraposição à carência, a procura pelo líquido aumenta com o crescimento das populações urbanas e a instauração de novas indústrias, como as de mineração. Os estudiosos, no entanto, notaram que a cidade do norte do Chile recebia uma quantidade grande de neblinas vindas do Oceano Pacífico, que se acumulavam nas montanhas. Desta forma, eles decidiram recorrer à extração de água das nuvens. O processo, que consiste em capturar a umidade através de uma malha fina, já tinha sido usado em zonas rurais da América do Sul e Central. Porém, os cientistas ainda precisavam avaliar se era possível obter a quantidade necessária para abastecer centros urbanos.
Para isso, eles utilizaram, como base, uma taxa média anual de coleta de água de 2,5 litros por metro quadrado de malha por dia. Como resultado, os especialistas obtiveram que 17.000 m² poderiam render o suficiente para atender à demanda semanal de 300.000 litros. Desta forma, a população periférica não precisaria mais depender dos caminhões. Ademais, o esquema também disponibilizaria o líquido para a agricultura, bem como outras demandas da região.
“A água das nuvens poderia aumentar a resiliência das nossas cidades às mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, melhorar o acesso à água limpa”, afirmou a pesquisadora do estudo, Virginia Carter Gamberini, à ‘BBC News’.
*Texto sob orientação de Helena Gomes